• Prostatectomia e Impotência

O câncer de próstata tem um grande impacto na saúde do homem bem como na sua qualidade de vida. Milhares de casos são diagnosticados anualmente e infelizmente muitos homens ainda morrem devido a esse problema. Diversos tratamentos são disponíveis sendo geralmente a prostatectomia radical o mais indicada para casos de câncer localizado. Os pacientes que serão submetidos à prostatectomia radical devem sempre orientados quanto aos riscos de disfunção erétil ou de incontinência urinária.

A prostatectomia radical é um grande fator de risco para a disfunção erétil, problemas de ejaculação e alterações na parte de orgasmo. Alguns fatores podem interferir nesse ponto, tal como a idade do paciente, como estava a função erétil antes da cirurgia, estagio de avanço do tumor e a técnica cirúrgica utilizada. A taxa de manutenção da função erétil é maior em homens abaixo de 65 anos. Também fatores como diabetes, hipertensão, arterosclerose, taxas altas de colesterol, fumo e problemas cardíacos acabam interferindo na disfunção erétil pós cirúrgica. (*17) Pacientes que já tinham algum tipo de disfunção erétil antes da cirurgia têm tendência a ter esse quadro agravado.

Estudos (*14) mostram que a incidência da disfunção erétil após a prostatectomia radical pode chegar a 60% independente de o cirurgião considerar que a operação tenha ou não conseguido preservar os feixes vasculares e nervosos. É importante frisar que a localização exata desses feixes nervosos durante a cirurgia é em alguns casos bastante complexa e difícil.

Também nos casos de tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna da próstata (ressecção transuretral ou transvesical) não se observou diferença nos resultados dependendo do tipo de procedimento e que, quanto mais idoso o paciente, maior a chance de DE.(*15) O risco de DE após ressecção transuretral de próstata é extremamente baixo em indivíduos potentes, porém é alto naqueles que já apresentam alguma disfunção prévia.

O tempo para retorno das funções eréteis é bastante variável e normalmente o homem não consegue o retorno da mesma tão rapidamente quanto consegue o retorno do controle da micção. Alguns estudos mostram que o homem chega a levar 18 meses após a cirurgia para voltar a ter suas funções eréteis. É observado que uma estimulação o mais rapidamente possível da parte de ereção e de aumento do fluxo sanguíneo no pênis facilita o retorno da ereção natural. Embora ainda não haja um protocolo definitivo de quando se deve começar a estimular a ereção, há esse consenso de que não há necessidade de se esperar a ereção natural.

O tratamento para DE após prostatectomia segue os mesmos princípios de disfunção erétil por qualquer outra causa. A primeira opção de tratamento será com o tratamento clínico com uso de medicamentos via oral se não houver nenhuma contra-indicação para uso dos mesmos. Caso não seja possível ou suficiente, deve-se optar pela segunda linha de tratamentos que incluem as autoaplicações. Somente após essas tentativas e não se obtendo os resultados esperados é que se deve optar pelo implante peniano. O que se observa é que embora a incidência de disfunção erétil após prostatectomia, muitos homens permanecem sem tratamento após esse procedimento.

A função erétil pode voltar lentamente em um período de 12 a 18 meses após a cirurgia. Iniciar um tratamento o quanto antes ajudar e melhora as chances de recuperação da função erétil.

Nos casos em que o paciente permanece com problemas de incontinência urinária e disfunção erétil, existem tratamentos clínicos para os 2 problemas, e caso não se obtenha sucesso também existe tratamento cirúrgico para a incontinência urinária.

O mais importante é tratar do câncer e preservar a vida da melhor forma possível e depois, havendo alguma possível seqüela, tratar da mesma com tranqüilidade lembrando-se que a medicina encontra-se muito avançada nessa área.